Alma em Verso
Poesia

DE GINETES E CAVALOS

Roseli de Fátima S. dos Santos

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Porque será que uns viventes com acordes bem timbrados vão dedilhando o passado e se olvidam do presente? Será porque não consentem o Rio Grande de agora ou vivem do que outrora no hoje se faz ausente?

Será por que se esquece que tudo no tempo flui... E o que não evolui estagnado perece? Não sei bem o que ocorre... Mas é antiga essa prova: se algo não se renova, é de teimoso que morre.

E por que a apologia incoerente ao cavalo, com esporas e estalos galopando melodias. É o ginete, sem um calo em domas cheias de glórias que se enche de vanglória nas proezas de domá-lo?

Que retórica estranha de alguns mates de rodeio que partem o potro ao meio numa bárbara “façanha”. E enquanto a espora lanha em frenético apelo o mango estoura no pelo trovejando na campanha.

O gaúcho fez história entronado sobre os bastos. Escrevendo pelo pasto o rastro da trajetória. Por que então a delonga de domas de fantasia de quem se estriba e judia do cavalo nas milongas?

Será que alguém me desvenda por que será que um e outro surram o verbo no potro mas nunca cantam a prenda? Pois a pé ou a cavalo o gaúcho por mais rude tem a mais nobre atitude com a mulher que é seu regalo

Entendo que nessa lida de montar em temporal a força seja normal quando se joga com a vida. Porém, sangrar o animal e fazer arma das garras - abraçando uma guitarra - É oportunismo total.

O gaúcho de verdade não sai cantando de galo, pois pra domar um cavalo precisa mais que vaidade. Só respeitando o perigo ganha a vida e, por lucro depois de amansar o xucro conquista mais um amigo.

É preciso mais que acordes, que pilchas de figurino... Tem que jogar com o destino pro potro ficar no molde. Quem conhece esse serviço e vive sobre os arreios, não parte bicho ao meio nem sai se gavando disso.

Não é a toa que falo, nem tão pouco me incomoda esse campeiro da moda que tem medo de cavalo. Desse suposto ginete é que meu verso reclama, por pretender ganhar fama sem nunca montar um flete.