Repisando Rastros
Vou repisar os meus rastros, percorrer caminhos gastos no alvorecer dos meus dias pra reencontrar a alegria que se perdeu, desgarrada, nalguma curva da estrada.
Vou refazer minhas trilhas, cruzar várzeas e coxilhas, vou afastar o quebranto pra resgatar meu encanto que se extraviou pelas grotas onde gastei minhas botas.
Vou repisar os meus rastros, recorrer matas e pastos com toda serenidade pra reaver a saudade que eu escondi nas macegas e nunca achei nas bodegas.
Vou refazer minhas trilhas, seguir a sina andarilha por escondidos recantos pra buscar o acalanto que se sumiu nas canhadas em meio à noite fechada.
Vou repisar os meus rastros, palmilhar destinos vastos, vou espantar os caranchos pra libertar meus garranchos aprisionados co’as penas que sangravam em meus poemas.
Vou refazer minhas trilhas, recompor minha tropilha, penar num inverno forte pra redescobrir meu norte e seguir minha jornada sem temer encruzilhadas.
De volta, ajeito os arreios... e assim, com os pessuelos cheios de alegrias e de encantos, de saudades e acalantos, de nortes e de garranchos, rumo de volta pro rancho que jamais será tapera, pois lhe habita a primavera, pois lhe habitam as lembranças, os amigos, a esperança!
Mil gracias meu soberano... Pois se o destino aragano me derrubou de boléu, faltou o chão, não o céu! E foi repisando rastros que voltei firme nos bastos, retemperei minha essência pra seguir nesta querência sem refúgio, sem guarida, “de a galope” pela vida!