Alma em Verso
Poesia

Sereno

Rodrigo Canani Medeiros

Publicado em

Sereno é o orvalho que da noite brota -lágrima terrunha a invadir distâncias que nas manhãs claras se eleva ao céu! Sereno é o homem, firme em suas botas, -respirando fundo, sofrenando ânsias que percebe um mundo sob o seu chapéu! Mente serena pra enxergar adiante e apontar os rumos pro andar de tantos, pra apertar o passo ou segurar o trote conforme avança essa tropeada grande. pra inspirar coragem de erguer paredes e abrir janelas para o sol entrar. Alma serena pra sentir profundo e compreender o outro em suas inquietudes, pra encontrar o brilho que amanhece azul pelo grão dos olhos daqueles que amamos. Pressentir perfumes, recordar sabores, e escutar acordes para além das notas... Um andar sereno pra encontrar sentido e aceitar os ciclos que se impõem severos, pra seguir em frente a semear sorrisos e colher afetos, mesmo em tempestades, pra aguentar os trancos da vida gineta que tironeia forte neste queixo duro. Sereno estou no meu matear solito, recorrendo às penas pra fugir das telas, sangrando garranchos pra largar das teclas. E assim prossigo, meio encarangado, a perceber matizes pelo breu das horas de um inverno longo, num catre silente. Sereno é o orvalho que da noite brota, rastros suaves de terrunhas lágrimas, que nas manhãs claras se eleva ao céu! Sereno é o homem, firme em suas botas, que escreve a história, campereando rimas, e que percebe um mundo sob o seu chapéu!