Ladrao de Felicidade
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Num paraíso de sonhos Marlene e José se amavam, toda vez que se encontravam juravam eterno amor... Mas o destino traidor, cruel, amargo e atrevido, jogou seus sonhos floridos numa cascata de dor.
Marlene -- uma moça rica, um futuro tão brilhante, o seu olhar fascinante tornava-a mais preferida, por todos era querida, era meiga e tão formosa, como o florar de uma rosa na primavera da vida.
Enquanto José -- era pobre, vivia do seu trabalho; era uma gota de orvalho no jardim da humanidade com a sua honestidade, fibra, ardor e respeito, tinha um coração no peito feito de amor e bondade.
Ao longo de muitos dias ele foi correspondido, era um romance escondido mas tão cheio de pureza... Aquela estranha beleza pelo amor que então sentia. esqueceu tudo o que tinha para enfrentar a pobreza.
Até que um dia, Marlene foi chamada por seu Pai: - Minha filha você vai contar tudo o que se passa, não quero que uma desgraça venha nos trazer tristezas; conte tudo com franqueza, deixe de fazer trapaça!
Marlene baixou os olhos, uma lágrimas pelo seu rosto: -- Papai, se lhe dou desgosto, de joelhos peço perdão! Eu sei que a sua intenção é que eu viva para os estudos, mas, eu amo, acima de tudo, são ordens do coração!
... Houve um olhar, em silêncio como um sinal de revolta: -- Eu prefiro vê-la morta, deitada sobre um caixão frente a uma multidão, rodeada por quatro velas, prefiro nunca mais vê-la se casar com aquele peão!
... Foi como se um temporal desmoronasse um castelo, um coração tão singelo para resistir tanta dor... - Se na vida só há um amor e me roubam a liberdade, um mundo de crueldades para mim não tem mais valor!
Quando foi tarde da noite ela foi, sem ninguém ver, ao seu amado dizer a sua infelicidade... Envoltos pela maldade, com olhar temo e sereno por um copo de veneno partiram para eternidade.
No outro dia, a alvorada era um painel de tristezas, enlutou-se a natureza quando foram encontrados, estavam bem abraçados e inertes sobre o chão; ela trazia, entre as mãos, num bilhete, este recado:
- Papai, teu desejo foi feito, pode me ver sobre a mesa, não lamente a tristeza, nem chore a infelicidade, fique com tua vaidade, seu orgulho amaldiçoado e o remorso de ter me roubado a vida e a felicidade!
Diga à mamãe que lá do céu vou sentir a falta dela, entregue um beijo a ela e peça para me perdoar, talvez ela vá chorar pois parto sem dizer nada, já que aqui não tem morada para quem aprendeu a amar!
... Este foi mais um romance que o tal destino exauriu. Duas flores que, pelo frio, secaram ao rigor do vento, com linhas de pensamentos formou-se um livro de ensino, escrito pelo destino, com letras de sofrimento.
Que isso sirva de exemplo a muitos pais de família, que fazem de suas filhas objetos de ambição! Que esta dramática lição mostra ao povo interesseiro que o orgulho e o dinheiro não mandam no coração!