Saudade
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Quando o sol golpeia no horizonte e se vai reclinar por de trás do monte como um boi colorado repontado pelo mango de noite que tropeia eu sofro a mágoa de tristeza, a quietude sem fim da natureza na saudade cruel que me maneia.
Xomíco!
Por que será que Nosso Senhor nos dá sem pena, nem julgamento, a pua do pensamento prá esporiar o coração? Há nisso tanta maldade que eu até nem acredito que fosse o "tal" Jesus Cristo o inventor da saudade...
Saudade!!!
Ela vem chegando, tropereando...tropereando tudo de bom que vivi.
Depois que a saudade apeia amarra o pingo e sesteia, nunca mais a gente ri.
Isto é: sempre há sorriso mas para isso é preciso enganar como perdiz que piando numa moita noutra se esconde afoita fingindo que náo piou. A gente não é feliz!
So ri dos dentes pra fora, um gargalhar disfarçado, uma risada amarela, como potro atropelado como boiada que estoura na saída da cancela.
Saudade cheira a alecrim mas é ruim que nem cupim que dá em várzea de campo; fere a gente de tal jeito que o coração cá no peito se banha nágua do pranto.
Saudade é grama cidreira, é guecha passarinheira que a gente nunca domina; é dor aguda e danada, dói mais do que uma chifrada de vaca mansa brasina.
Saudade, coisa esquisita, que Deus te faça bendita como a hóstia no altar!...
Pois, de tudo que já tive, somente a saudade vive, vive a me acompanhar!!!