Se Marx Fosse Peao
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"...A estância se acordou em dia de camperiada Chiando pelas cambonas, prá se iniciar a mateada De repente um peão barbudo, atando a segunda espora Abriu a boca sizuda, pondo "o zóio" campo afora E falou pros companheiros de mesmo rumo e ofício Numa tal de mais valia,
Falando em tom de comício, contando um pouco de história... A peonada leva tropa prá morrer no matadouro Esfola a bunda nos "basco", o sol velho queima o couro Mas o patrão barrigudo é que embolsa todo o ouro
Se madruga todo o dia prá laçar e curar bicheira Se afunda o garrão no barro, com essas vacas da mangueira E co que nos sobra de tudo? Só hemorróida e frieira
... Ainda fazem rodeio, em nome da Tradição Os boi com a língua de fora prá alegria do patrão O que era duro ofício se transforma em diversão
E tem mais: A propriedade deve ser de quem trabalha Quem sustenta a casa grande são nossos ranchos de palha Se a peonada joga truco, o patrão é que embaralha
... e a estância continuou, no mesmo tranco afinal Terêncio jogando laço, Nestor montando o bagual E o patrão com a guaiaca forrada dos capital.