Alma em Verso
Poesia

Se me Ataco das Veneta – Vaine Darde

Vaine Darde

14º Bivaque da Poesia GáuchaPublicado em

Eu declinei da ternura porque de tanto que luto o meu canto ficou bruto de verso e de partitura pois não se quebra estruturas com o lirismo nas letras quando um bando de sotretas se apodera do futuro e a tudo que não aturo eu me ataco da veneta.

De tudo que se produz, a custo de muito preço, nos roubam mais de um terço e o retorno se reduz a nada que faça jus ao suor de nossa lida nesses espólios de vida que nos fazem infelizes por sugarem as raízes das esperanças perdidas.

Se o campo se desventura, vai-se “a la cria” a matriz, pois não se faz um país sem rebanho e agricultura. -Caramba, que vida dura este ofício de campeiro de changuear pelo pucheiro, cuidar de taipa e de vaca só pra encher a guaiaca de um bando bandoleiros!

Foi por essas circunstâncias que alguns tempos atrás, patrão, peão e capataz se insurgiram nas estâncias pra lutar contra a ganância e tamanhos impropérios, pela falta de critérios de quem suga a quem trabalha, que o pampa se fez batalha contra as hordas do império.

É por isso que o meu verso perdeu o encanto e o lume pra se transformar num gume nestes tempos adversos quando o pão fica impresso com o sangue nas livretas e o país vira carpeta de um jogo de interesses, mas todo aquele que pense vai se atacar da veneta!

Usar a força dos braços pra o lucro dos imponentes, sustentando os gabinetes e a luxúria dos palácios, nos faz desfazer os laços e abandonar a tropilha Já cansados das encilhas do descaso e do mal trato dos senhores do planalto com o povo das coxilhas.

Por isto, por estas plagas, mesmo a poesia protesta e o versejar dos poetas se torna o fio das adagas. Até quando a velha saga vai encilhar os cavalos pra enfrentar os vassalos, os mesmos que tresantontem beberam de nossas fontes até encher os gargalos.

Só quem lavra campo afora e pastoreia o rebanho desde o tempo de antanho até os dias de agora com o dom de quem labora para pôr o pão na mesa, sofre todas incertezas de colher o próprio pão pelos males da ambição que instituiu a pobreza.

A la pucha, mundo louco que nos leva aos extremos de pagar o que não temos e viver neste sufoco, num regime arcaico e tosco que somente a si promove, que exige e não resolve as penúrias de uma gente explorada por um ente que só cobra e não devolve.

Desculpe se mal me expresso no contexto da pajada, mas nessa crise danada de um jugo podre e perverso, desembainho meu verso e me armo de caneta qual se fosse baioneta que crava o verbo bem fundo pra pôr a boca no mundo se me ataco da veneta!