Tormenta
Publicado em
Há rodeio no céu Uma nuvem baia vem ponteando ao longe Outra...mais outra...
Parece que estão mudando de pelo Há muita osca e preta desgarrada... Mas devagar vão se ajuntando, Tocadas pelo vento.
O relho é forte e estala E o gado é xucro! O Sol -mui graxudo e pesado Se esconde, Pra não ser pisoteado Pela gadaria das nuvens. Las putchas... Parece que passaram um pontilhão E os cascos largam faíscas...
Uma janela bate cá na estância Porque o vento é forte... E deita as moitas Que ondulam numa cor esquisita.
Ouve-se um galope... E ao longe ponteia um cavaleiro Na ânsia de chegar!! Vê-se o vulto cada vez maior... -Ainda num rastro de poeira- Agora batida pelos primeiros pingos.
Devagar vai levantando Uma fumacinha do chão quente, E o mormaço bate em retirada Tocado pelo ar fresco do aguaceiro.
A peonada corre às pressas E vão gritando: -Recolhe o guaxo! - Guarda os pelegos! Aqui no galpão o fogo é grande. Um índio guarda a bomba Porque é de prata e puxa o raio.
Um custo sotreta se achega na roda E chaqualha o pêlo nas barbas dos cueras. Um bico de bota lhe cruza lenhando Ganiça sentido, saltando de volta, Abaixo de grito: - Eta lombo-sujo!!
Parece que está acalmando... É o ramo bento da Sai Joana. - Coitada...como reza! e o gado das nuvens tão preto e tão feio, Bandeou-se da estância Pra outra querência!
Assim a saudade - Retrata a tormenta - Preteando num upa O sol da existência! Que passe ligeiro Que nunca da frente! que eu pegue o matungo E bandeie também!!