Alma em Verso
Poesia

Tosador de Ovelhas

Marco Póllo Giordani

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Se achega o taura sereno Debaixo dum cinamomo Bombeando o laneado em gomo No pano verde do chão!

Parceiro - passe a tesoura E o frasco da creolina Lhes digo: darei sovina, No lombo desse capão!

O bicho maneado - quieto Fica ofegante, bombeando, O gaúcho se agachando Já de tesoura na mão!!

Cuidado chiru - La fresca... “Que baita lanho florou!!”

um prisco - somente um prisco de novo a quietude reina quebrando no cric-crac da tosa que continua!

Só para o campeiro destro Pra uns goles de mate manso Cevado pela chirua!

E o criic - craac de novo... É a tosa que continua!

Um ...dois...três... - de lombo branco, Vai se formando o rebanho

Parece até que foi geada - Retoca um piá maneador.

- Menino! - A tarde se foi Repica o peão - tosador...

Talvez...sonhando co’o branco Com todo o rebanho branco Contrastando co’a verdura, Do pampa...bordado em flor!!