Ultimo Pealo
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Morena linda te chegaste como um sol Ao bambural do meu potreiro de existência, O teu olhar - olhar que tem da flor a essência - Encheu de luz este meu rancho solitário; Mas já é tarde, meu amor, fiz meu rosário Das “três-marias” boleadeiras da descrença, Por Deus não queiras te ajoujar na indiferença De um coração xucro no amor e perdulário...
Morena és vida, és sonho és poema boliçoso A prefulgir sobre o inverno que me abraça, És a estampa pampeana de uma raça Canto e poesia das serestas do meu pago; Mas o teu sonho de amor, morena, é vago Como o silêncio negro e frio da madrugada... Não faças ninho sobre a árvore cansada Não busque a estrela refletida sobre o lago.
Morena linda resplandente de alvorada Foge do ermo amargo e fundo da tapera, O nosso amor foi sonho louco de quimera Que a luz mortiça do candeeiro iluminou; O João-de-barro já de há muito sepultou O coração, fechando a porta de seu rancho E se este sonho de esperança hoje desmancho É porque a luz deste candeerio se apagou. O sol se agacha sobre as ancas do horizonte Vê como é linda a poesia desta cena, Te chega aqui, para escutar na tarde amena O sino ao longe na igrejinha do povoado; É o funeral de mais um dia e no alambrado Até o vento vai nas cordas bordoneando... Ò quanta prece vão os ranchos derramando, Ó quanto amor igual ao nosso sufocado!
Corre os varais sobre a tronqueira deste amor Mas não me cerres a porteira da amizade; Quero dar alce pra meu pingo soledade Sob a cacimba dos teus olhos cismadores. O corredor do tempo é o bálsamo das dores E tu recém andas em meio a minha estrada... Não te lamentes se de mim não levas nada; Eu tudo perco não possuindo os teus amores.