Uma noite pra romance
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De tão clara, a lua cheia acordou o girassol... E a pampa enluarada Se reflete nas aguadas Com matizes de arrebol... Eu não sei se é delírio ou se é arte da poesia, se a noite quer ser dia ou se a lua quer ser sol
Percebi, no entardecer, que o ocaso, em seus aprontes, passou ruge no céu raso, batom na boca da noite. Notei, depois da cancela, no luzeiro do horizonte, uns tons mesclados de rubro qual se o sol, em uma tela, colorisse de aquarela a tardinha de outubro.
Tamanha lua redonda nos convida pra um aparte nesses enlaçes de ronda na intimidade do catre... Pra ficar ouvindo o campo em seus acordes nativos, olhando uns olhos cativos... com brilho de pirilampo. Que noite pra ser vivida com total intensidade sem ligar para o depois, qual se toda humanidade conseguisse amar em dois...
A noite encilhou os potros com aperos de luar e o galo solfeja tonto anda polindo as esporas no trajeto das tropeadas.
O olhar fica encantado com tanta luz derramada em cada lua aninhada sobre os discos do arado... Ah, que lástima me invade, ter que prosear com a saudade que há muito me faz costado!
Numa noite como esta não tem paixão que descanse, é uma noite pra romance alumiado pelas frestas... Não há nada a clarear, nem precisa lamparina porque o rancho se ilumina com goteiras de luar. O amor, em noite assim, ganha lumes na penumbra quando o plenilúnio alumbra pela quincha de capim.
E após o amar amado em seu frenesi lunar, há dois anjos abraçados a dormir e a sonhar: Sob um lençol de lua a magia é tamanha que a ternura dorme nua em um catre de campanha!