João das Feias
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“As feia trás as bonita” Dizia o João num ditado. Assim vivia o lasqueado retocando as balzaquianas. E nessa andança aragana por bailantas e carreiras, não tinha feia solteira que não sonhasse com o João. Com seu jeito bonachão, atipado e pacholento, atiçava os sentimentos do chinaredo de então.
Com um instinto de avestruz, de comer qualquer porqueira, e uma ânsia fandangueira picaneando o garrão, virava o rei do salão, sem refugar, se atracava na primeira que se abria e a cachorrada se ria da cara larga do João. Que, sem afrouxar o garrão, com as feias se divertia.
Das tantas que o João já fez, tem uma negra manca na Estância da Salamanca num dia de marcação.
A negrinha era um tição, tinha um bafo de cachaça, mas vinha rareando a caça, todo mundo acasalado sem se fazer de rogado, ao canto da pomba rola, o João sumiu com a crioula na garupa do gateado.
De outra feita, num surungo, tirou uma gringa faceira que apesar de dançadeira, a risada era um relincho. Mais feia do que um capincho com sarna braba no pelo. Tendo a gaita por sinuelo, na mala luz da bailanta, fez o baile com a percanta, sem ligar pra concorrência, pois diz a voz da experiência: china feia ninguém canta.
De a cavalo era um São Jorge, sempre atrás de algum dragão, engrossando o pelotão das feias que ele alegrou. Pelo pago se espalhou a fama desse carancho. Terror dos bailes de rancho, parceiro das capivaras de onde vinha aquela tara de urubu no mês de agosto? O louco não tinha gosto e nem vergonha na cara.
Um dia o João se aquietou, largou de mão das gurias, dos bailes, das pulperias, se arranchou com uma morena linda de fala serena e olhos claros transparentes, como as águas das vertentes, de uma beleza esquisita. E o João que não facilita, agora regenerado, repete em tom debochado que “as feia traz as bonita”.