Acalanto do Homem só
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Olhou para as mãos trêmulas Para os braços descarnados, Com o olhar vago e cansado Lutando para enxergar. Marcara-lhe a face, o tempo, Sulcando-a de rugas fundas; O cabelo cor de neve Completava o quadro triste Do homem e a solidão.
Quadro sem brilho, sem vida Sem cores de arco-íris... Um quadro feito de cinzas Pintado de barro e sol.
Metamorfose da vida Que fez do menino e homem Um ancião lúcido e só.
Olhou em redor, ninguém. O vento varrera o tempo E os seres que mais amara No tempo também se foram. A noite apagara vidas, Vidas agora lembranças Lembranças e nada mais.
Na procissão interior Dos anos que já vivera, Desfilavam lentamente Cantos de párias insanos Negror de gritos perdidos Dos que não tem amanhã... E nessa noite chorou.
Chorou um choro sentido Na lágrima solitária, Da angústia interior e fria Do homem ponto final... Naquele asilo de velhos No seu quarto de silêncio Cantava o poema saudade ... E era noite de Natal.