Olhai os lírios queimando
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A tarde brinca com fogo, queima o pasto sem perdão, lá vai o campo queimando, ardendo sem compaixão. Olhai os lírios do campo como crianças perdidas no tempo, no fogo, nos sonhos, na vida. Tanta cinza, pouca brisa, tanta luz, pouca razão, a chama lambe a ferida sobre o lombo do verão. Olhai os lírios queimando, o campo não tem saída no tempo, no fogo, nos sonhos, na vida. A chama deixa seu rasto fazendo negra a coxilha, toda a terra veste luto no calvário da vigília, pela agonia dos bichos, pelo delírio dos lírios no tempo, no fogo, nos sonhos, na vida.