As Asas da Poesia
As asas da poesia não têm plumas Mas revoam muito além do céu imenso; Levam junto as raízes do que penso E propagam claridade frente às brumas.
Sendo rio, não se perdem nas espumas Nem se afogam pelos poços e remansos... São correntes que avançam sem descanso Junto às margens que detém coisa nenhuma.
A idéia, que provém do sentimento E que nasce na clausula de um papel, Ganha o mundo, ruma as nuvens, toma o céu, Quando as asas vêm mostrar o seu talento.
São a própria natureza em movimento, São o ventre das paixões em rebelião... Essas asas com sinuelos de amplidão São poesia navegando ao tom do vento.
E pechando as tempestades deste mundo Se agigantam frente aos olhos dos mortais; Assim seguem propagando os ideais Das bandeiras que tremulam sobre os mastros, Hasteadas pela força desses braços Que destroem as barreiras sociais.
As asas da poesia não tem plumas Mas carregam tantas penas, tanta dor... Quando levam um irmão em dissabor No seu tema de alforria e redenção...
Mas o mundo vai mudando a cada não Dessas vozes que se erguem sem ter medo, Vendo a alma transbordar por entre os dedos E a vida florescer junto a garganta, Na magia que sublime nos encanta Sob a luz de um sol bordado de ilusão.
As asas da poesia não tem plumas, Mas eu sei que elas se abrem por um bem... Bem comum, o bem maior que o mundo tem, E é por ele que essas asas vão além. Vão de querência em querência Levando sonhos comuns... Um povo inteiro na essência Do verso de cada um; O maior palco se abrasa... Mas quem renega suas asas Não vai a lugar algum.
Eu dependo dessas asas Na minha sede insaciável De transformar este mundo; De propagar as verdades Pechando as hordas covardes Que sangram cada segundo.
A minha força é pequena, Escrevo o que vale a pena No brete da folha em branco; E a magia da palavra Ficaria ali encerrada Sem luz, sem vez e sem tranco.
Mas tudo que era cinzento Ganha cor e movimento, E vem mostrar seus pendores; Quando as asas da poesia Vão revoar sesmarias Na voz dos declamadores