Náufrago de mim
I.
No meu universo, extremo, feito um barco sem remos, em meus versos, tão enfermos, me vi náufrago de mim.
Navego minhas lonjuras em mares de desventuras e povoo as amarguras nos ermos dos meus confins.
Reticente quarentena... Minha mão esgrima a pena pelas grades do poema em meu eterno calvário.
Minha alma, emoldurada nestas estrofes rimadas, verseja a dor e mais nada deste pranto solitário.
Na folha branca, deserta, meu ofício de poeta de minhas veias abertas sangra a tinta da poesia.
Metáforas, uma a uma, esmaecem, entre brumas... Em asas perdendo plumas pousam palavras sombrias.
Ando perdido no tempo, a vida é um relógio lento entre luas, cata-ventos, neste conflito sem fim.
Ferido de tua saudade, ancorado a um fim de tarde, neste mar que me invade me fiz náufrago de mim.
II.
No meu universo, extremo, feito um barco sem remos, em meus versos, tão enfermos, me vi náufrago de mim.
Singrando noites escuras em busca da própria cura, me perco a tua procura na lira de um querubim.
Em lírica quarentena, vou divagando este tema, solfejando cantilenas do meu verso imaginário.
Minha alma, debruçada, se vê só e confinada ante a folha, timbrada, do meu próprio inventário.
Na areia branca, deserta, desvendo a palavra certa que a alma sonha e desperta no véu da minha poesia.
Nesta solidão em trauma, entre palavras e espuma, aporto a minha escuna salgada de maresia.
Ando perdido no tempo, a vida é um relógio lento entre luas, cata-ventos, neste conflito sem fim.
Ferido de tua saudade, ancorado a um fim de tarde, neste mar que me invade me fiz náufrago de mim.