De potros e gineteadas
Adriano Medeiros e Cristiano Medeiros
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Não sei de onde vem a sina De sair campeando corcovo, Nasceu talvez lá pela Ibéria... Nas mãos ginetas de um Mouro. E, assim na gesta imortal Saiu bem grudado nas crinas, Em um embalo bem marcado Puxando um venta brasina!
Nas “Criollas” em Montevidéu Ou até em Jesus Maria, Eu sei que as gineteadas São sim a grande alegria. Pra um campesino de fato Ganhar a rastra de campeão, Na gurupa, basto ou em pêlo Não é pra qualquer um não!
Quando um potro sai berrando Enfiando a cara nas mãos, E o índio sai embodocado Mas firme, sem froxar o garrão. Dez segundos é ventania Sentindo o tranco do bagual, Vai benzendo co’as chilenas Deixando um “risco” no carnal.
Malabruja... Este desvalido Quando nasce corcoveador, Mas sempre tem contraveneno Pra um pavena flor de roncador. E já vai sentindo as “desditas” Quem já pede relho e fiador, Vai nas “oreias” deste cavalo, Pois é o instinto do domador.
Das mais antigas dos gaúchos É na monta de puro pêlo, Que se vai pegado no tento É pra quem tem sorte e zelo. Traz o rebenque “reboleando" Vai girando igual um tufão E o matungo muy caborteiro Vai esfregando a fuça no chão!
Pra quem sabe montar em gurupa Herança do índio pampeano, Sabe que não é pouca coisa A lida bruta de campechano. A cincha se firma no peito Pra mostrar ali como se faz, Chamando na roseta dentada E vai abanando pro capataz.
Basto aberto, pra quem sabe. É do estilo dos argentinos, O estribo redondo de couro Pra nunca perder o seu tino. Usa alpargatas de capincho Ou calça as botas de garrão, Firma bem a ponta dos dedos E já salta calando na precisão.
Basto oriental é a monta Com o arreio bem completo, Vai o xergão, o basto liso Pelegão bem no estilo dileto. Pingo encilhado no palanque Nesse faz que vai, mas não vai, E um “doble chapa” sai grudado Bem no estilo lá do Uruguai.
Racacho Fajardo o capataz Mandou estender a tropilha, E gritou: “cavalo de gaiota Em rodeio nunca se cria!” Só volta no más pro palanque Algum gateado que se boleia, Muita atenção aos palanqueiros Que a rodada é coisa feia!
Viver na sanha destes rodeios É pra quem gosta de picardia, Metendo bocal nestes qüeras Levando pro povo alegrias. Ginetear pede força no tutano E cada um só dá o que tem, Já ando louco de faceiro Pra montar no domingo que vem!