Alma em Verso
Poesia

Mensagem

Gonçalves Chaves Calixto

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Nós nascemos neste terra Tão repleta de beleza Onde a mão da natureza Semeou carícia e afago Somos senhores de um pago Sem inimigos ou rivais Nós somos representantes Dos que fizeram a história Simbolizando a glória Da terra dos Marechais.

Somos figura lendária Altivos por excelência Amantes de uma querência Que a todo o pampa domina Somos orgulho da china Nativa prenda bonita Que se desprende em beleza Carinhos e devaneios Repicando sapateios Quando dança a chimarrita.

Somos fortes como aço Sem muito luxo ou traquejo Temos na fronte o lampejo De pura soberania A força que um certo dia Cruzou o pampa lendário E voltou de queixo erguido Trazendo a alma em pedaço Mas sem recuar nem um paço Pra banda de adversário.

Nós somos o desfio Do passo dos chuleadores Somos poetas, cantores, E trovador do repente Somos passado e presente Das grandes revoluções Trouxemos para os rodeios Do passado, uma lembrança, Traduzindo p’ra uma dança O manejo dos facões.

Nós somos o churumingo De uma gaita nos fandangos Maragatos e chimangos Se irmanando á mesma luta. Nós somos a força bruta Do matungo caborteiro Somos o próprio ideal Daquilo que achamos certo Quem nasce em campo aberto Não se perde num potreiro.

Somos pampa, somos campo, Somos mais que os oceanos, Somos tauras soberanos, Que a través do tempo passa Descendentes de uma raça Que jamais esqueceremos A história conta paisagens Dizendo muita verdade Mas não diz nem a metade De tudo que já fizemos.

Somos riscos de chilena Que ficou sobre a coxilha. Somos a ilhapa, a presilha, Do laço do peão campeiro Somos eternos guerreiros Por causas tradicionais A nossa arma é a mensagem Mandada com importância P’ra esmagar a ignorância Dos preconceitos sociais.

Somos o próprio Rio Grande Soltando gritos de guerra Herdeiros natos da terra Que foi de Bento e Sepé. Somos livres temos fé Num pampa livre e seguro Somos tropeiros do tempo Que vai cheio de emoções Repontando tradições Do presente pro futuro.

Somos enfim a esperança Naquilo que se acredita Na chama que crepita No meio do temporal. Somos a raça bagual Que deu ao pampa civismo. Matungo escaramuçando No cochilhão da verdade Mostrando pra mocidade A fibra do gauchismo.

E quando o jovem moderno Compreender que não lhe minto. Vai sentir tudo o que sinto Num culto ao tradicional, Vai sentir-se um general Sem ser mais do que ninguém Vai ver como é importante Ter o sangue de charrua Amar a terra que é sua Ser mais gaúcho também.