Si Vis Pacem
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No meio dos ventos, cortado de frio, Altivo e gaudério, no passo arredio, Lá vai o Rio Grande de espada na mão! Nas patas do pingo lha passa a querência, Galopa e troteia na cola da urgência. Levando no peito a custosa missão.
A poeira da estrada levanta na cuna, Nos pagos do guasca que empunha a reiúna, E espanta a vereda no vivo tropel. Igual quero-quero, acorda as coxilhas, Rodeia soldados e os empurra ao quartel.
Do alto da serra ao banhado dos pampas, Juntando tropilhas de cascos e guampas, Prepara um rodeio da cor nacional. Em vez do facão, distribui baioneta; Na cuia castrense a pólvora preta; Na ponta das lanças tremula o ideal!
A Pátria é ferida, e lhe acode o gaúcho, De peito arrojado, sem peias nem luxo, Centauro a serviço da Terra que chora. Rompendo a fronteira, o gringo atrevido Plantou a ganância no solo querido, E é urgente, e de honra bota-lo pra fora!
Desperta o Farrapo da calma aparente, Estende o pelego na sela ainda quente; A adaga rebrilha, pendente da ilharga; Fareja o entrevero na voz do trovão... O flete percebe, e pateia no chão, Ansioso e fremente por mais uma carga!
Curada a ferida dos tempos farrapos. A mágoa esquecida no meio dos trapos, A honra lavada depois das porfias, Se funde o Minuano ao Arcati; Se abraça o Negrinho ao irmão Tucuxi, Unidos, fraternos, por mãos de Caxias!
Agora, irmanado com todo o Brasil, Bebendo da canha no mesmo cantil, É um veio de sangue, leal, paralelo, Cumprindo o fadário de Curupaiti. Por Bento Gonçalves, por Piratini, Pendão Tricolor, sob o Verde-Amarelo!
Repete o invasor, e lhe impõe o castigo, Que o taura gaúcho não teme o perigo; E quem corre o risco é quem ronde por lá! Não tardam vitórias, cobradas na lança, Na força da tropa, que ataca e que avança, Vencendo em Tuiuti e arrasando Humaitá.
E o maula tirano se escapa ligeiro, Fugindo assustado do chão brasileiro. Vendendo arrogância, engoliu monoscabo!
Findou-se em desastre a aventura arrojada, Morrendo a ambição num barranco de estrada, À ponta da lança de um Chico do Diabo!...
Que contem, recontem, repitam a história, Pertence ao Gaúcho esse pala de glória Que cobre o Brasil desde aquela peleja! Garibaldi que cante, Anita que reze; A mão do poeta, que nunca despreza A alma farrapa, onde quer que ela esteja!
Meu pai me contou que ainda ouviu em criança A estória maleva e ódio e matança Que coalhou de cruzes o nosso Torrão. Repita o gaúcho, onde quer que ele ande: _ Eu falo a verdade_ Eu sou o RIO GRANDE, e a ouvi de São Pedro num fogo de chão.
Cultive essa herança, com garbo e cuidado, Que o rumo futuro nos vem do passado, Forjado com honra, no livro ou fuzil, Se queres a paz, afeiçoa- te à guerra, Que a paz duradoura anda longe da Terra... E dela depende a paz do Brasil!