Guitarra - II
Apparício Silva Rillo
Meu nome é Guitarra. Sou vento e cigarras, sou risco de garras e sou algodão.
120 poesias
Apparício Silva Rillo
Meu nome é Guitarra. Sou vento e cigarras, sou risco de garras e sou algodão.
Apparício Silva Rillo
Como me agrada, Guri, ver-te rasgar a cordeona - uma raiz redomona que havia dentro de ti.
Apparício Silva Rillo
Naqueles tempos, sim, naqueles tempos as casas já nasciam velhas. Naqueles tempos, sim, naqueles tempos, sim,
Apparício Silva Rillo
Rosa de carnes maduras na mais lindice de si. Sonho e cama inalcançados pelo bolso de trocados
Apparício Silva Rillo
para as partilhas do nada que couber àqueles que dei vida em seio e ventre no sêmen feito flor numa mulher.
Apparício Silva Rillo
É muito, muito difícil, fazer-se um poema de José, como, sobre, a respeito do avesso ou do direito
Apparício Silva Rillo
As estrelas pediram, pediram um espelho pra Nosso Senhor.
Apparício Silva Rillo
Deixa de ciumeira, china boba... Tai meu lenço. Seca esta lágrima quente
Apparício Silva Rillo
Enfeitiçou-se meu Uruguai missioneiro à luz alta do candieiro que o luar pregou no céu.
Apparício Silva Rillo
No poncho morno das cinzas dorme o fogo de galpão. Ao escasso calor de seus carvões a cuscada se entrevera com os peões
Apparício Silva Rillo
Cabelo era preto Que liso era o rosto! Teu corpo era flor.
Apparício Silva Rillo
Houve um crime nesta estância. O moço perdeu um freio, foi acender uma vela pro Negro do Pastoreio.
Apparício Silva Rillo
Eu sei que teus relvados serão verdes. Eu sei que haverá flores sobre a relva. Eu sei que escutarás canto de pássaros e os verás entre as ramas também verdes
Apparício Silva Rillo
Afino as cordas do pinho nesta milonga campeira, mais chucra que uma tronqueira mordida pelos baguais.
Apparício Silva Rillo
Traga de vez a garrafa, bolicheiro! me despacha, que hoje no mais se emborracha quem nunca se emborrachou.
Apparício Silva Rillo
A noite é negra macia que eu amo em pratas de lua, a me aquecer os pelegos com brasas de estrelas nuas.
Apparício Silva Rillo
Revejo as fotografias de família - um vezo antigo de exorcização, caça do tempo perdido como nos romances franceses de Marcel.
Apparício Silva Rillo
Nazareno, o andarengo: Melena sobre as espáduas, olhos azuis de céu limpo Na sua cara afilada como que feita em madeira, Bigode de asas caída e a barba ruiva no queixo,
Apparício Silva Rillo
Negrinho do Pastoreio, afilhado da Senhora Mãe de Deus Nosso Senhor! Não te vejo nem te escuto
Apparício Silva Rillo
Porque os animais falavam Não os chamamos jamais de animais. Ademais porque adoramos seus retratos Porque viemos deles e os chamamos
Apparício Silva Rillo
Vago é meu pago. Este que trago, cicatriz em mim, Raiz de minhas íntimas origens,
Apparício Silva Rillo
meu velho pala de seda com meio palmo de franja! Contrabandeado da estranja para enfeitar meu assombro.
Apparício Silva Rillo
Escolho por chamar-te Nazareno para falar contigo frente a frente. Aliás, como sempre faço, quando cruzas nos dezembros de sóis à porta do meu rancho
Apparício Silva Rillo
A noite traz a querência na insônia e na solidão. Rosa que o povo chamava Rosinha, mocinha linda,