A Chegada do Meu Primeiro Neto
João Batista de Oliveira Gomes
Era cedo, muito cedo Antes da barra do dia, De uma madrugada fria Um quero-quero anunciava,
55 poesias
João Batista de Oliveira Gomes
Era cedo, muito cedo Antes da barra do dia, De uma madrugada fria Um quero-quero anunciava,
João Batista de Oliveira Gomes
Encilhei um pingo baio, Fui saindo sem destino, Que nem peão meio teatino, À procura de um fandango,
João Batista de Oliveira Gomes
Um dia desses passados Era cedo quando acordei, E em seguida levantei Para cevar meu chimarrão,
João Batista de Oliveira Gomes
Entre os trastes velhos que tenho Lá no meu rancho guardado, Tem um que é bem mais lembrado Porque sempre me acompanha,
João Batista de Oliveira Gomes
Potrilho atado ao palanque, cola varrendo o chão... Domador enforquilhado, retumbando o coração, E o amadrinhador, bem montado, atento ao aceno da mão...! O bruto sai corcoveando, o outro surrando cruzado.
I Garimpo da Poesia Gaúcha (Virtual) - São José do OuroJoão Batista de Oliveira Gomes
De longos cabelos negros E os olhos da mesma cor, Rosto miúdo, encantador E de uma estatura mediana,
João Batista de Oliveira Gomes
Ao Pé do Fogo foi o nome Que apartei como sinuelo, A tropa é de todo o peão Que tirei da invernada,
João Batista de Oliveira Gomes
Numa manhã de domingo Quando no rancho eu mateava, Minha prenda e companheira No mate me acompanhava,
João Batista de Oliveira Gomes
Eu puxei meu pingo zaino Botei as garras a capricho, Resolvi dar uma bailada E arrumar um cambicho,
João Batista de Oliveira Gomes
Sou gaúcha de verdade Sou filha aqui desta terra, Sou a saudade que encerra No peito de muita gente,
João Batista de Oliveira Gomes
Eu recebi um convite Pra assistir um bailão, Ficava em Passo Fundo No bairro do Boqueirão,
João Batista de Oliveira Gomes
Domingo levantei cedo Meu alazão encilhei, Botei a bombacha nova Chapéu na testa tapiei,
João Batista de Oliveira Gomes
A tempo eles iniciaram Uma longa caminhada, Juntos pela mesma estrada Estão seguindo a passos lentos,
João Batista de Oliveira Gomes
Quando vejo uma carreta Quanta saudade me dá, Começo a recordar Os velhos tempos passados,
João Batista de Oliveira Gomes
Meu velho chapéu preto Da aba meio caída, Chapéu velho pra toda a lida Campereadas, dias de festas,
João Batista de Oliveira Gomes
Sentado ao redor do fogo De uma cozinha de chão Cevando o meu chimarrão De erva boa bem socada,
João Batista de Oliveira Gomes
Cusco amigo era um cachorro Que criei desde novinho Era feio e arrepiadinho Quando pra casa eu levei,
João Batista de Oliveira Gomes
Este nome de Tózinho É um nome meio esquisito, Pois não é nome bonito Foi eu mesmo que escolhi,
João Batista de Oliveira Gomes
Abre essa gaita, ó gaiteiro, Num chorinho bem manheiro, E me faz aqui um costado, Vou contar a estória de um baile,
João Batista de Oliveira Gomes
Numa festa de campanha É que me sinto à vontade, Faceiro barbaridade Alegre bem satisfeito,
João Batista de Oliveira Gomes
Quanta beleza eu vi Ao conhecer Garopaba, O que eu imaginava Hoje tenho certeza,
João Batista de Oliveira Gomes
A minha querida mãe É que eu quero homenagear, No meu simples linguajar Esta homenagem lhe ofereço,
João Batista de Oliveira Gomes
A ti, meu pobre patrão, Sei que tu vais entender, O que eu vou te oferecer E nos meus versos te digo,
João Batista de Oliveira Gomes
Às vezes estou lembrando Da terra onde nasci, Dos meus tempos de guri Onde passei minha infância,