Alma em Verso
Acervo

Poesias de Antônio Augusto Ferreira

41 poesias

  • Olhai os lírios queimando

    Antônio Augusto Ferreira

    A tarde brinca com fogo, queima o pasto sem perdão, lá vai o campo queimando, ardendo sem compaixão.

  • Pago vazio

    Antônio Augusto Ferreira

    Quando inauguro meu mate na madrugada uma revolta escondida libera as asas.

  • Pai-de-fogo

    Antônio Augusto Ferreira

    Calor de brasa carancho telha ferrão de abelha cobra coral.

  • Par de esporas

    Antônio Augusto Ferreira

    Hoje figuro neste par de esporas toda a saudade que me vem da vida. O tempo passa pra quem foi da lida, doma de potro é pro rigor da hora.

  • Que Deus é esse?

    Antônio Augusto Ferreira

    Que Deus é esse, que se faz de branco e escraviza o negro e contempla o branco destruir o índio no maior silêncio?

  • Refúgio

    Antônio Augusto Ferreira e Leandro Araújo

    Quando me abanco pro mate no galpão que tenho em casa, abro a janela pro Norte de onde vem o sol melhor.

  • RENASCER

    Antônio Augusto Ferreira

    O passado foi de sombra, uma noite longa e triste, noite funda como a morte, tão noite que não termina,

  • Ressabio

    Antônio Augusto Ferreira

    Você não abra mais o seu sorriso Porque eu posso pensar que foi pra mim. Da outra vez me veio sem aviso E então o coração ficou assim.

  • Retrato

    Antônio Augusto Ferreira

    Estas botas parecem da família, desbotadas de suor e água de sanga, lustrosas das correias das esporas, com seus bordados que teceu o mato,

  • Senhora

    Antônio Augusto Ferreira

    Como me assusta, senhora, tanta demora no pousar-me os olhos verdes, prisão de quatro paredes,

  • Sobre Deus

    Antônio Augusto Ferreira

    Para que Deus exista é necessário o homem. (Condição sine qua non). O Deus dos bichos é diferente,

  • Solidão

    Antônio Augusto Ferreira

    Andam vazios vida e caminho vazio o rancho nenhum carinho.

  • Sonho Criador

    Antônio Augusto Ferreira

    Não, já não são mais de mim arrancadas que a um corpo velho só restou defeitos. Os horizontes turvos do meu peito

  • Tapera

    Antônio Augusto Ferreira

    Tapera, como é que pode tal imagem de abandono guardar as descomposturas que a vida fez a seu dono.

  • Um Certo Sol

    Antônio Augusto Ferreira

    Que sol é este que me vem neste porão onde me escondo? Porão não é lugar

  • X GALINHA

    Antônio Augusto Ferreira

    A Kombi do cachorrão taí e é minha, quando o patrão vendeu o gado que tinha,