O QUE PROCURO...
Carlos Omar Villela Gomes
Não está à mercê das traças nem da poeira insistente... Não se encontra dentro de algum livro Nem colado nas folhas de um caderno. O que procuro não está nos envelopes velhos, nos jornais antigos
71 poesias
Carlos Omar Villela Gomes
Não está à mercê das traças nem da poeira insistente... Não se encontra dentro de algum livro Nem colado nas folhas de um caderno. O que procuro não está nos envelopes velhos, nos jornais antigos
Carlos Omar Villela Gomes
O Saci de duas pernas Resolveu passear aqui... Veio de longe, faceiro Diferente do que eu vi.
Carlos Omar Villela Gomes
O sétimo dia chegou cedo... Cedo demais ou me perdi nas contas E eu aqui, sem uma flor sequer; Sequer um choro pra lavar minha alma,
Carlos Omar Villela Gomes
O velho testamenteiro abriu quieto o envelope Que exigia sua função... Na sala escura a família, num luto dos bem sentidos, Aguardava o conteúdo do envelope timbrado...
Carlos Omar Villela Gomes
O ocaso deu “-oh de casa!”, sem nem eu ver de onde vinha... Chegou bem mais que montado, mas sequer se apresentou; Quando notei, fui tomado de assombros e ladainhas Em uma prosa mesquinha com quem jamais me escutou.
Carlos Omar Villela Gomes
Passo a passo, tento a tento, A vida segue seu tranco Pelos fundões desses campos Que São Pedro apadrinhou.
Carlos Omar Villela Gomes
Os olhos nem se cruzavam desde a saída pra lida... Um vinha mais que montado num baio que era um colosso,
Bianca Bergmam e Carlos Omar Villela Gomes
Os primeiro ventos sopraram sobre a Terra imóvel... Dando movimento para as sangas rasas, Onde os anjos puros se banhavam nus.
Carlos Omar Villela Gomes
Não! Não pronuncies mais meu nome! Estás totalmente proibida... Te nego integralmente esse direito Com a mesma lei que me negou a vida!
Carlos Omar Villela Gomes
Minha alma está prenha, barriguda... Não sei se de pandorgas, cata-ventos; Ou seriam girassóis extemporâneos Contrariando o grande astro em movimento?
Carlos Omar Villela Gomes
Quando o sol caiu não solucei, Enchi o peito com o ar que ainda tinha E pensando estar pensando não pensei.
Carlos Omar Villela Gomes
Não me digam que sou negra de alma branca, Pois minha alma tem a cor que eu mesma ostento! Negra minha pele, sim senhores, Negra minha alma, com orgulho!
Carlos Omar Villela Gomes
Sentado à mesa, o mate novo, a vela acesa, o olho turvo Ouço mil cascos em disparada, lá por de trás da coxilha E o Negrinho gorjeia seu riso, por ter achado a tropilha Dou-te o lume da vela, a prece prometida
Carlos Omar Villela Gomes
Domingo ensolarado neste outubro febril Onde caminho sem pressa, despretensiosamente, Ou melhor, com a mais singela pretensão De quem, apesar de interiorano,
Carlos Omar Villela Gomes
São nove estrelas que eu vejo deste meu apartamento... Nove estrelas que se mostram nas funduras do que penso; São estrelas de saudade, de alma e de sentimento, Me trazendo um céu de sonhos, bem maior que o próprio tempo.
Carlos Omar Villela Gomes e Mateus Neves da Fontoura
Pulsa um verso dentro da alma Pela artéria da poesia, Onde a vida principia E a folha, em branco, inquieta
Carlos Omar Villela Gomes
Meu olhar revoa nesta hora mansa, talvez um anjo me acarinhe agora; os sonhos vertem cores, a singrar lembranças... As cores de paisagens que jamais perdi.
Carlos Omar Villela Gomes
O coração que nos leva pulsa forte E mostra em seu sangue porque veio... Porque se inscreveu nestes silêncios Que marcam suas pegadas pela areia.
Carlos Omar Villela Gomes
Não sou as rugas e os cortes Que a vida marca em meu couro... Sou bem mais que algum lamento À beira deste fogão.
Carlos Omar Villela Gomes
Espalhou na madrugada seu olhar, Como campeando os motivos Dos tantos rastros deixados, Dos retratos apagados
Carlos Omar Villela Gomes
A noite beijou meu rosto com ar de mãe carinhosa, Desenredou sua prosa entre sussurros perdidos;
Bianca Bergmam e Carlos Omar Villela Gomes
Uma corrente chora a dor de seus fantasmas, Na dor da morte, a eternidade a lhe assombrar; Aprisionada por si mesma ela soluça Prantos ocultos pelos uivos do lugar.
Carlos Omar Villela Gomes
Tremem minhas mãos neste momento, A voz que chama tem um timbre ácido... O espelho frente aos olhos refletindo as cores De uma bandeira linda que empunhei sem medo.