Pássaro Rio Grande
Apparício Silva Rillo
Era limpo de cinzas seu traço no céu e a estrela boiera alumbrava seu vôo. Um potro de plumas e asas aos ventos que o tempo em seus tentos
120 poesias
Apparício Silva Rillo
Era limpo de cinzas seu traço no céu e a estrela boiera alumbrava seu vôo. Um potro de plumas e asas aos ventos que o tempo em seus tentos
Apparício Silva Rillo
- Capitão velho de guerra, quem te pôs neste caixão? quem te pôs entre estas velas que tremelicam, ariscas,
Apparício Silva Rillo
Dou rédea aos potros que monto na concha das invenções, puando esporas de tempo no pelo dos redomões.
Apparício Silva Rillo
Na estreita da canoa a linha longa. Nela o anzol - garra na sombra líquida O remeiro e seu ofício de paciência
Apparício Silva Rillo
Este petiço, veterano aqui da estância, foi o meu pingo de infância, meu orgulho de guri.
Apparício Silva Rillo
Pinho velho, empoeirado, escutei neste momento as notas que a mão do vento te surrupiou ao passar.
Apparício Silva Rillo
Sobre um rodado leve de carreta, puxada por um petiço mui velho, lerdo e maceta, esta pipa veterana
Apparício Silva Rillo
Não, não me procurem mais no meu velho endereço la no campo. eu estou me mudando,
Apparício Silva Rillo
Mocinha do rancho da beira da estrada, sem brinco, sem seda, sem chita floreada - a chita floreada que tem lá na venda, floreada igualzinha ao ipé da fazenda
Apparício Silva Rillo
Nesse tempo, as fotografias desse tempo não tinham a nitidez das fotografias de hoje Nem mesmo o colorido que as antigas o tinham no mais íntimo de si.
Apparício Silva Rillo
Me orgulho deste meu pago Me orgulho de ser prendinha Em minhas veias caminha O nativismo do Rincão
Apparício Silva Rillo
Quando o berro do boi fizer-se canto, quando as lavouras se fizerem flor; Quando a mão de couro-cru do pastoreio
Apparício Silva Rillo
Já muitos quartearam muitos, — seja aqui ou noutra parte - mas poucos quarteiam poucos no dar-se asas à Arte.
Apparício Silva Rillo
Nem que se passe a lo largo Longito do retalho do banhado Onde é teu chão. Nem assim...
Apparício Silva Rillo
Isto que lerás, meu afilhado, quando souberes ler e sobretudo entender - E o importante, na verdade, é entender - não chega a ser um poema, me acredites.
Apparício Silva Rillo
Eu era um frangote novo, crista curta e meia pua, quando não sei por que lua me deu cambiar de querência.
Apparício Silva Rillo
Ali nascera e vivera na velha Estância da Cruz. Filha de quem? não sabia...
Apparício Silva Rillo
A Rosa que foi de muitos agora é Rosa de um só. China de casa montada na ruazinha arredada
Apparício Silva Rillo
Porque toda a gente chora quando devia sorrir? Só Dona Constança sabe que era hora de dormir.
Apparício Silva Rillo
Quando meu rio Uruguai, que é meu e de todo mundo, dava curso e dava fundo a buques de vigilância
Apparício Silva Rillo
(À sua memória) Sempre que paro rodeio no meu baú de memórias, de lá reponto a história
Apparício Silva Rillo
A uns diz que foi o noivo, a outros, que o primo foi. Mas fosse o primo ou o noivo, fosse o destino ou a vida
Apparício Silva Rillo
Botei um culo-clavado num tiro mui chamboneado de pouca volta e mau rumo. Cambeio a tava por outro.
Apparício Silva Rillo
Vendeu os gados e arrendou os campos. Reservou-se apenas, as casas da Estância,